domingo, 8 de abril de 2012

dor de cabeça

medo de não pertencer
medo de mudar
medo de não dar certo
medo de não mudar
e a dor de cabeça

terça-feira, 3 de abril de 2012

espero

bom dia, meu bem, meu querido.
como estás? me conte sobre o teu dia.
espero que tenhas um ótimo dia.
espero que a tua tarde não seja tão quente ou tão triste
porque eu espero que fiques bem.
boa noite,
e dorme bem,
e acorda bem,
e fica bem,
e se alimenta bem,
e se cuida bem
e se cuida, tá?
e bom dia
e bons dias
e boa semana
e bons meses
e bons anos
eu espero que você tenha bons anos.

_
eu espero que você não sinta a angústia que sinto ao te querer bem e parecer convenção.

bom dia, fica bem, se cuida.

reverberar

agora o coração dança sem solavancos. reverbera essa plenitude que de tão grande faz o peito ficar maior que o mundo. a carne é de algodão branco. pele e cabelos cansados, o corpo pede descanso e pouco importa. eu fecho meus olhos pequenos, inspiro e me permito reverberar. leve tal qual algodão, me permito reverberar.

quarta-feira, 21 de março de 2012

adentrar

Em 2 ou 3 dias, sem perceber. Hoje eu vi que não é mais a tua aparência que me ganha. Em dois ou três dias não são mais os teus olhos que eu busco lembrar pra mim. O teu jeito triste e deslocado me diz mais de ti, hoje, e vão além dos olhos e pra dentro. Como um líquido em rachadura, a persistência é imbatível e certa hora, dois ou três dias, a rocha cede, o líquido adentra. A rocha cede porque quis ceder. Adentrar: é o que eu espero das pessoas que me saltam aos olhos. (À)dentro.

domingo, 18 de março de 2012

o homem esquece

1. é bom passar um tempo sem ter tempo pra pensar
2. me conforta saber que só se sente uma dor de cada vez
3. em dias muito tristes, é normal esquecer-se completamente do que é felicidade
4. ítem anterior vale pra quaisquer sensações opostas. amor e ódio, nojo e atração, taquicardia e letargia.
4.1. isso porque o homem esquece

porque o homem esquece

esquece

sábado, 17 de março de 2012

cão de rua

Eu queria derreter e me enfiar num buraco. Daí no buraco eu queria tentar entender que diabos acontece comigo. Sabe um sonho? Sei lá, sonho é pretensão. Sabe um sonho? Eu queria ser normal, a ponto de no mínimo as pessoas lembrarem da minha voz. É pouco, eu sei. Eu nem sei, talvez eu imagine, mas nem sei certamente que que me deixou tão arisco ao contato humano. Hoje eu sou um cachorro de rua, que se é notado mostra os dentes e afasta até folha seca no vento. Travado, total. Cheio de tensão. Cheio de sarna, assim. Leal, como todo cão, quando vale o esforço de conquistar. Mas cão de rua nunca vale o esforço de conquistar, se não tiver o mínimo de porte. Assim vai, uivando sem som e sem sono por dentro dele mesmo. Assim vai.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

de novo


Choveu aqui. Eu nem percebi, acho que tudo já parecia meio aguado na minha visão mesmo antes da chuva. Os meus olhos andam tão vermelhos e apagados, e olha, eu sempre gostei tanto da maneira como meu olho fala... e agora eles parecem um pouco quietos. Não to gostando muito de olhar no espelho. Mas choveu, na janela tem um cheirinho bom de grama, o mato tá tão verde, com várias gotas nas folhas, cheio de vida, eu fiquei com um pouco de inveja mas me senti contente por ter notado... a gente sabe que quase ninguém nota essas coisas. Amanhã eu vou tentar, sair de casa. To precisando, tomar um ar, botar luz nesses olhos. Talvez eu não consiga de primeira, é por isso que Deus inventou o depois-de-amanhã. Pra eu poder ter uma outra noite de silêncio e ar fresco no rosto, só eu e sem luz e sem pressa. E amanhã à noite eu posso dizer que amanhã eu vou tentar de novo...