domingo, 12 de julho de 2009

A visão do que sufoca o peito.

Não há nada que acentue tanto a certeza do meu amor por ti, quanto a própria dor que sinto ao ver-te numa noite de poucas estrelas no meu céu cinza. Teu céu e tuas estrelas que devem ser especiais, e então eu peço a uma estrela cadente, perdida no teu infinito, se entrelaçar ao meu céu de um escuro interminável..
Mas, dentro de um infeliz segundo, inesperado, que tuas estrelas se envolvem em uma dança com outras estrelas que não as minhas. E minhas lágrimas desabam de um céu triste, e a dor machuca o peito, feito a chuva e os raios numa tempestade. Tanta água, mas o que deveria ser fértil continua seco e sem vida.
Bom é saber que todas as tristezas, um dia têm um fim e que todas as tempestades, um dia vão embora. E mesmo que, por mais uma vez, eu perca o sentido, eu juntarei as forças minhas, e buscarei aonde puder encontrar, mesmo que em fontes descartáveis ou em sonhos de mentira.. assim as coisas tendem a voltar ao seu (novo) lugar.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Saiba.

Quando a embriaguez toma minhas veias e se torna parte integrada de meu corpo, e quando as gotas de chuva traçam rotas sobre minhas imperfeições em retas e curvas, eu sinto seu olhar - que mesmo tão indecifrável eu posso afirmar que não estranho – me trazendo algo novo.

Em algumas horas simples que sem você não seriam tão corridas, deixei-me estar vulnerável aos seus intencionais – ou não – toques cautelosos, palavras calculadas, jogo de movimentos e, repentino, vi meu castelo de frieza e de proteção vindo, a tona, abaixo. E hoje, num [des]encontro, você retira o que é explícito e o que me resta são meus pensamentos que permanecem em ti, tão recentes, tão confusos.. Vem! Vem ser meu!

Vem, rápido! Porque eu queria que todo pudor se esvaísse num grito uniforme, desejoso de tua boca! Minha boca? Meus olhos? Meus gestos? Meus atos? Nunca ouve força maior que tanto os calculasse! E a trajetória é sempre essa, quando sinto a força de tua existência confrontando meus desejos. E se, por acaso, minha boca e meus olhos estiveram bem desenhados ao teu lado, deve-se ao fato simples de estarem ao lado dos teus, a força do desejo de serem notados por ti, inteiro.

Apenas vem! Porque no mesmo ritmo que aumenta o fluxo da chuva, minha vontade de tornar real este que agora é desejo concreto de ti aumenta! Se houvesse ao menos um canal que ligasse a voz de meus desejos e a escuta da tua mente... ao menos eu teria uma tentativa.. e eu gritaria na tua mente o que agora é certo: eu te quero sem dúvidas.

Mas no fim das contas, eu abro minhas pernas e evidencio nosso contato: a minha pele e a sua pele em uma unidade que ultrapassa qualquer lógica existente: erupções individuais e um coletivo (nós) químico, expressando o que os vocábulos erroneamente diriam como ‘na ausência de minha querida presença, ou mesmo de qualquer presença, hoje você me completa e me basta’, ocultado a esperança da pureza de qualquer sentimento nobre.

Agora a lucidez já é parte de meus sentidos, e antes que por inteiro, me entregarei num sono de inexistência, buscando a pureza num sonho infantil, mas sem medo de te encontrar naquilo que o consciente não tem o poder de controlar.

terça-feira, 7 de julho de 2009

infância

Quando eu reparo nas nuances daquilo que cobre a terra em disritmia com meus passos rápidos, por algum momento breve eu sinto que a realidade se afasta e então eu me permito ver o que ela não permite. E isso é possível só durante o tempo que eu posso caminhar em sincronia com os pensamentos, sem medo. E isso, é possível quando eu me encontro num passado palpável, não o que prendemos em nossos infinitos; mas o passado que temos hoje, e que quando nos deparamos, circunstancialmente nos envolve, brando. A materialização daquilo que nem mais nos pertence – porque o tempo já tomou as nossas marcas e o que era nosso.
E eu sei que é só nesse quadro vivo, um engano d’um passado e a negação certa d’um presente. Só lá eu vejo o meu lugar que não me pertence. Abraço um tempo que não passa com a mesma força dos nossos minutos, me perco em três ponteiros tortos de um relógio branco. Sorrio para velhas lindas cores. Um verde calmo e um azul sereno. Um cinza falante e umas cores verticais difíceis de serem nomeadas. E só eu lembro tudo que essas cores têm de mim. Mas respeito também as novas cores. Cores que [ir]realizam ainda mais o meu lugar.
Sinto a melancolia nostálgica de um domingo em todos os detalhes, até daqueles que cobrem a mesa ou se encontram jogados no chão. Envolvo-me até nos meus olhares mais sinceros e me pergunto por que os abandonei ali... Eu rio quando encontro o meu medo de andar no escuro. E quando o escuro é certo, olhar pro céu é sentir o universo.

E eu fecho as entradas da caixinha até a próxima vez que o sentido me faltar à mente.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O início...

(mas todo fim, no fundo é uma canção que atrai um novo início...)

terça-feira, 30 de junho de 2009

ao fim.

É no fim do dia,
depois que o sol se põe,
e quando falar de um céu azul já parece loucura;
é quando as músicas não podem ser ouvidas;
é quando a alegria cega se desgasta,
e quando, em seu lugar, a incerteza preenche o vazio deixado;
é quando não há mais calor pra abraçar um corpo só,
e quando o frio que chega nos pede proteção;
é enquanto a própria presença se cansa,
que a ausência arrebata a existência;

é quando a luz perde a força,
e o que resta é o escuro,
que me impede de ver o mundo,
e minha dor é único grito;

e, ao desenrolar dos segundos,
o que era dúvida torna-se certeza,
e ao fim, o depois,
que só é ocupado pelas lágrimas que correm;

no início, um dia que ameniza o susto,
e as dores pareciam tão distantes,
e eu me encontrava tão lúcido...
e no fim, o escuro que me tira os fundamentos,
e o que sobra é a fragilidade,
e já não sei se o que sinto é medo da dor ou a própria dor..

Na ausência do que me conforta
percebo que segurança ainda é distante,
aprendo que a calmaria é passageira
e o que sobra ao fim (de mim mesmo)
é um sentimento, fluído, do meio do peito, vai suave aos ombros
é sinal do meu amor e da sua recusa
e ao fim, só o amargo de existir é o que resta.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

..mudanças..

Já não é mais de ti que eu falo nessas minhas deixas secretas que só a ti foram expostas.
Já não fazes mais parte da minha realidade e raramente sais pronunciado da minha boca.
Hoje, és um sonho, ruim, que se passou (jamais um pesadelo).
Mas eu não seria verdadeiro, deveras, se dissesse que não habitas meus pensamentos, ainda por um breve tempo.
O agora, secretamente (revelado), sinto-me despido e sei que dentro de mim ainda te encontro em turvas imagens, recordatórias de paz e horror.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

motivos pra seguir.

Hoje eu sinto tudo tão diferente.. talvez sejam minhas percepções, porque desde que eu me recordo, não há grande mudança nesse(s) universo(s) que nos rodeia(m).. Eu sei que não sou alguém que sabe muito e nem sobre muitas coisas, apenas o que eu falo gira em torno do que eu sinto e do que eu penso, a cima de tudo. É estranho... o homem e suas concepções vivem ciclos que renegam o passado, e buscam uma nova essência no que antecede ao passado, assim sucessiva e gritantemente.
Hoje, eu sinto tudo tão diferente. É como um jogo, de convenções, em que os vícios e o egoísmo e as novidades aceleraram demais o ritmo do jogo. Em que pessoa nenhuma é capaz de acompanhar naturalmente, ao mesmo tempo em que não há como desprender-se de nosso inventado e incontrolável passatempo. Hoje eu sinto, tudo tão diferente. Minhas sensações, contrastadas ao meu existir, tornam-se pesos impossíveis de carregar. Tudo o que se pode absorver é exaustivo, gritante e doloroso. São as crias do nosso jogo, complexas em demasia. Nosso jogo, o jogo do absurdo. Busca-se compreendê-lo sem esperar uma resposta, além da reflexão. E, obviamente, ficamos sem respostas.
O que mais me dói é ver que as pessoas perderam o valor e os valores. Destes últimos, alguns deveriam mesmo ser esquecidos, mas outros, como a inocência e o respeito que se foram, nos tornam menos humanos, no sentido inventado da palavra. Hoje, coleciono nomes dos mortos nos telejornais diários. E o que mais me afeta é o sentimento de solidão. As pessoas têm sido menos gratuitas, e o sentido da amizade tornou-se apenas ‘ter alguém pra horas difíceis’.
Mas algumas coisas jamais perderão o sentido, como a ternura de um céu ensolarado, o equilíbrio de um céu estrelado, as luzes, à noite, na cidade, a pureza num sorriso de uma criança, fazer bem às pessoas que me rodeiam... e assim eu busco motivos pra seguir.